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| A super lua - Foto: Assis Kaxinawá |
Por: Jairo Lima
Parecia um dia como outro qualquer. O rio barrento
mostrava vazante, quando as monções torrenciais dos últimos dias davam uma
trégua. O barranco ainda estava bastante enlameado, mas já mostrava firmeza
suficiente para que fosse possível subir sem se arriscar a um tombo bem feio e
sujo.
O dia não estava quente, nem frio. Depois de dias de
chuva, os pássaros cantarolavam suas melodias numa “bagunça” de gorjeios por
vezes indefiníveis.
Alguns nawa
apareceram, subindo o rio com grande algazarra, pilotando seu batelão com certo
descuido. Pararam na aldeia e ofereceram trocar umas “botijas”* de cachaça pelo
que tivesse de carne. O negócio foi feito escambiando sete botijas por sete
jabutis: “nawa estúpido e burro! Bicho tem um monte por aqui, mas bebida não!”
– devem ter pensado os parentes ao fecharem o negócio. Este tipo de escambo era
normal, afinal, esse nawa são
vizinhos da terra indígena, dividindo com estes a solidão e a imutabilidade
cotidiana de se viver em locais tão isolados.
A festa depois foi muito boa, e no mesmo dia todas as
botijas estavam devidamente consumidas e jogadas em algum canto do terreiro.






