domingo, 10 de março de 2019

WAKA MAIKIRIA

Por: Jairo Lima

Findou o carnaval, pelo menos é o que parece já que hoje em dia não se sabe ao certo quando ele começa e quando termina. 

Sento para escrever minha crônica do mês. Fico matutando se ainda tenho algum assunto para compartilhar com meus poucos leitores. Decido ir ouvir música indígena enquanto navego pelas mídias para me alienar e me informar e, nesse processo alienante vejo no ‘feicebuqui’ que o ator Fábio Assunção esteve por estas bandas, aqui no Acre Indígena, mais precisamente na aldeia Morada Nova, povo Shanenawa, município de Feijó. Ele veio em busca de cura para suas mazelas materiais e espirituais através da força das medicinas indígenas, capitaneadas, claro, pelo ‘Uni’ (Ayahuasca).

Vi as várias postagens sobre essa visita, já que estive ‘fora do ar’ durante todo o piseiro carnavalesco e, nas redes sociais em comum com os parentes Shanenawa vi o sujeito ‘antes’ e ‘depois’ da visita, nas diversas fotos compartilhadas. Bem, a meu ver, excetuando-se a cara de quem não dormiu nada (e isso deve ser comum para ele) o figura parecia bem, até se comprometeu a voltar em setembro.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

DEPOIS DE TANTO TEMPO EM SILÊNCIO, O QUE DIRIA RAIAL ‘DISSO TUDO QUE ESTÁ AÍ’?

Por Raial Orotu Puri
Eu tenho estado silenciosa há um bom tempo. Não é que não aconteceram coisas neste período. Aconteceram. Até demais... E, no entanto... No entanto, às vezes, a tristeza, ou a raiva, ou revolta, ou todas essas coisas, recaem sobre nós de forma tão pesada que fica difícil encontrar palavras que possam ser encadeadas em frases e que permitam dar sentido ao que sentimos. 

... Ocorre também que o silêncio, depois de certo tempo passa a ser um lugar confortável, depois que nos acostumamos com ele. E há ainda a sensação de inutilidade das palavras. Ou de fadiga por ver que o esforço de usá-las foi inócuo. E há também a opinião dos nobilíssimos Guarani, que dizem que o ‘silêncio é o som dos sons’. E é...
Mas... “Você está em dívida com o Blog”, foi a intimação que eu não posso recusar jamais, vinda de meu amigo Samman Poteh..., ele disse. Ele tem razão. Eu sei. E se existe alguém que pode me mover do silêncio, sem dúvida, é ele, que começou esta história de escritas. Pois bem... Tentarei então dizer de tudo quanto houve, a ínfima parte que couber em minhas linhas.

E o que tanto aconteceu?  

domingo, 17 de fevereiro de 2019

PAJELANTRAS, GURULANTRAS, VAIDOS@S E OUTRAS “ANTAS”

Por: Domingos Bueno

 Em um tempo distante alguns poucos humanos tornaram-se mediadores entre realidades transcendentes que aprenderam a acessar, sinalizando dicotomias expressas em noções de indivíduo e coletividade, sagrado (sobre humano, que deve ser restrito à poucos e protegido) e o profano (humano, trivial), permitido ou não permitido, communitas e societas, natureza e cultura.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A AULA QUE FOI A SEGUNDA CONFERÊNCIA INDÍGENA DA AYAHUASCA

Por: Maíra Dias

Cumprimentando aos leitores deste blog, peço licença ao Jairo para, finalmente, trazer um pequeno registro sobre o que foi, pra mim, a II Conferência Indígena da Ayahuasca (ocorrida em agosto de 2018). Se passaram só alguns meses, mas nesses tempos relativos já parece muito… Me animo a compartilhar agora esse texto, buscando na força da memória daqueles dias inspiração e esperança para ler as notícias sobre povos indígenas e a Funai que temos visto agora. Que a força da floresta, da bebida ancestral e a sensatez desses povos que já assistiram e resistiram tantas vezes aos absurdos impostos pela sociedade não-indígena, possam mais uma vez nos ensinar.

domingo, 6 de janeiro de 2019

VOANDO COM O POVO JAPÓ… - Parte I

Por: Jairo Lima

Meu ‘zap zap’ quase travou o celular devido às muitas mensagens não visualizadas, mas que, graças à tecnologia, eu tinha ideia do que eram: felicitações de ano novo; pedidos de conversas via telefone ou zap para acertar alguns detalhes de projetos; ‘cutucadas’ para saber como estou; correntes de matérias sobre a FUNAI; pedidos de entrevistas; papos informais, etc. O Facebook me mandou mensagem no email, talvez achando que eu ‘atravessei a ponte’, pois, assim como o zap, não estava acessando-o. 

Como faço em todos os anos isolei-me em meu exílio social voluntário, dessa vez, como menos motivos para o retorno social. Cansado, talvez, de saco cheio, com certeza.

Na tranquilidade prazerosa do convívio familiar muitos pensamentos passeiam pela mente, enquanto minguados planos e planejamentos tentam abrir uma pequena abertura em minhas conjecturas existenciais e profissionais. Me pego em lembranças queridas de viagens etéreas com o ‘cipó’ (ayahuasca) e com a vivência recente que tive junto ao ‘povo Japó’ o querido povo Ashaninka… revivo a interessante viagem realizada há menos de um mês atrás:

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

VISITANDO A GALERIA DE OBRAS BIZARRAS E SURREAIS

Por: Jairo Lima

“Oi, tudo bem? Você está sumido!
Não está mais escrevendo?”

Essa mensagem, enviada por uma querida amiga, brilhou na telinha impessoal do meu celular, trazida pelo primo da atual tecnologia de comunicação, cuja alcunha tomou o intimismo típico para as pessoas, como se este já fizesse parte da família: zap zap.

Essa ‘cutucada’ somou-se a outras que venho recebendo ao longo dos quase dois meses de meu silêncio e ‘ausência social’, tanto literária quanto física. Porque?  Não sei precisar ao certo ou, talvez, até poderia se a isso me quedasse o pouco de interesse que me move para justificativas daquilo que, a priori se passa despercebido até para mim mesmo.

domingo, 9 de setembro de 2018

BANHO DE ERVAS E UMA ‘GARRAFADA’: Purificando o corpo e o espírito...

Huni Kuin e o banho de ervas - Foto: Camila Coutinho
Por: Jairo Lima

Depois de quase um mês após o ritual final da 2a Conferência Indígena da Ayahuasca posso dizer que, para mim, este ritual ‘fechou’. E tive essa sensação após o segundo dia de banhos com ervas medicinais na aldeia Shane Kaya, aos cuidados do velho Shoaynë e de suas filhas e netos, quando, ao sentir o líquido morno e cheiroso derramando-se sobre minha cabeça senti - literalmente - o mundo girar: - “Melhor tu ficar sentado”. - Mukani falou com sua voz suave, enquanto passava em minhas costas as folhas quentes da fervura. Foram três dias de ‘banhos’ muitos fortes, e cheios de significados.

Terminado estes dias de lavagens do corpo e do espírito voltei para casa. Na mochila um frasco com dois litros de uma ‘garrafada’ preparada pelo Shoaynë, para continuidade da ‘dieta’ iniciada na aldeia. Digo a vocês, caros leitores: pensem num remédio forte! Mexeu com muitas coisas em mim.