segunda-feira, 9 de julho de 2018

OS PÁSSAROS AZUIS VOARAM… E EU VOEI COM ELES…DE NOVO...

(Foto: Alessandra Melo)
Por: Jairo Lima

Passou-se uma semana...Mas eu ainda estou na emanação do que foi, ao menos para mim, mais uma linda vivência em uma das muitas comunidades indígenas desse amado e inexplorado Juruá (socialmente inexplorado, para ser mais exato).

Certamente que estou me referindo à festa de pré-lançamento do CD Xikari Niiti Shane Kaya, que ‘tomou corpo e nasceu’,sob a  batuta da Profa Cristiane De Bortoli (IFAC) - e que nesse texto me refiro à mesma como Cris - , contando com a participação do Sananga Records e, claro, da comunidade Shane Kaya. Foi certamente uma experiência gratificante para todos…

Eu já havia escrito um texto anterior sobre esta comunidade que, desde minha primeira visita lá, tomou-me de assalto, e pela qual desenvolvi os mais ternos sentimentos e, também, a ‘curiosidade’ de estudar e conhecer mais sobre a cultura estética, material e imaterial do povo Shanenawa (Povo do Passarinho Azul, em tradução livre - Shane = pássaro azul e; Nawa = Povo).

quarta-feira, 4 de julho de 2018

SOBRE COISAS ESTRANHAS ESTRANHAMENTE APARECIDAS, E SOBRE OUTRAS QUE NÃO FARIAM FALTA SE SUMISSEM…

Por: Raial Orotu Puri

Este texto começa com o fenômeno meio poltergeist de um livro que surgiu em minha estante. Bom, o aparecimento em si não foi exatamente classificável como um poltergeist propriamente dito, já que o livro não fez nenhum barulho* que eu tenha notado. Em todo o caso, pelo fato de eu realmente não saber de onde ele veio, houve um certo barulho de meu cérebro em tentar entender de onde raios ele veio. E mais ainda quando atinei sobre seu conteúdo.

O mistério quanto à origem permanece, sobretudo por ter me dado ao trabalho de lê-lo, após o que concluí que jamais, em sã consciência, eu compraria um livro assim. Pensei também que talvez houvesse sido um presente, mas as pessoas de quem costumo receber presentes também negaram serem os presenteadores... A dúvida permanece, portanto.

Escrevo esta crônica, como eu disse, devido a este livro. Não exatamente por sua origem misteriosa, mas pelo que li nele, e que não me agradou. (E, a propósito, espero sinceramente que os próximos surgimentos miraculosos sejam de algum dos muitos títulos ardentemente desejados por mim. Inclusive, aos eventuais interessados, informo que possuo uma lista pronta que pode ser solicitada a qualquer momento...).  

domingo, 17 de junho de 2018

SOBRE KAMBÔ, HUNI, ESPÍRITO E CONTROLE…

Por: Ibã Huni Kuin Inu Bake

Bom dia txai Jairo!

Muito bom txai, duas décadas de estrada e de estudo. Que legal, pelo menos tem pessoas que estão vendo essa realidade acontecer.

Sou filho do Kupi, tenho 37 anos e desde que nasci acompanho meu pai, e nesse acompanhamento eu, mesmo sendo indígena, não estou habilitado a fazer certos tipos de trabalho, principalmente a medicina do kambô, que é como uma armadura onde você vai se proteger e camuflar, por uma coisa que vai te proteger.E ainda existem outros detalhes da aplicação que é a dieta e o acompanhamento com as ervas medicinais.

E hoje você encontra todo mundo aplicando, como se fosse qualquer tipo de brincadeira ou uma ‘pegação’.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

AINDA NO PAPO SOBRE O KAMBÔ...

Por: Jairo Lima

Entramos no sexto mês do calendário gregoriano, dedicado à esposa do deus Júpiter, e aqui pras bandas do Juruá, onde, literalmente, “o vento faz a curva” entramos de vez no ciclo dos famosos e muito buscados festivais indígenas. Eu mesmo estou me planejando para acompanhar uns três neste ano.

Mas é nesse período, também, que as atenções redobram para o ‘enxame’ de espertinhos e ‘gurus’, que também se aboletam e infernizam tanto as comunidades quanto o juízo e o bom senso de qualquer criatura pensante.

É a bagaceira estereotipada de sempre. É incrível como essa galera não se toca. Pior: geralmente tem um bando de seguidores, que, em menor ou maior grau, seguem estes figuras como se estivessem às portas da perdição infernal… enfim.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

VIDA LONGA À YUBAKA HAYRÁ

Por: Maíra Dias

Passados alguns meses da Yubaka Hayrá*, um convite para a escrita de um texto sobre essa conferência tão especial me fez voltar no tempo. Olhar imagens, reler textos e refletir. Me alegrar pelos desdobramentos que estão ocorrendo, que confirmam para breve um novo encontro, o avanço dos encaminhamentos. Vibrar por ter tido a oportunidade de assistir esse momento histórico de troca e alinhamento, de ver garantidos replantios dessas sementes ancestrais. Lembrar dos momentos mágicos, encantados: línguas, cantos, adornos, pinturas. Relatos emocionantes de histórias de vida. Voltar àqueles dias é como rememorar um sonho lúcido. Mas também consigo examinar tudo que mudou em mim e nas minhas elucubrações, nos textos que na lida acadêmica vou escrevendo, nas teses a serem construídas neste meu doutorado em curso. A Yubaka Hayrá me ajudou a encontrar sentidos no que venho estudando, a entender um pouco da dimensão da ayahuasca dentro dessas comunidades, dentro dos seus modos de vida, e sobretudo do quanto é importante o reconhecimento e salvaguarda dessas referências culturais, da garantia do exercício de seus direitos humanos à cultura, à memória e às suas identidades culturais.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

EM MEIO AO CAOS… eu estou na paz…

Por: Jairo Lima

Os dias não tem sido nada fáceis em nossa Pindorama: caminhoneiros, políticos corruptos, período pré-eleitoral e outras tantas lambanças vem afetando a já difícil existência dos brazuca.

Um conhecido mandou uma mensagem oferecendo uma camisa da seleção brasileira, por um preço ‘bem camarada’. Questionei o porque dessa inusitada mensagem  ele me respondeu que ‘ao menos temos a copa do mundo para relaxar a cabeça…” - Copa?? Nem me toquei que tem esse troço no mês que vem, talvez porque não assisto futebol, talvez porque não me importo mesmo com a seleção (juro que não faço ideia quem joga no time). Mas fiquei pensando na frase “relaxar a cabeça”.

Nestes dias de convulsão nacional e alienação esportiva que estamos passando, a frase ‘relaxar a cabeça’ me transporta a outros pensamentos, bem diferentes da maioria: aldeia indígena; huni; cantoria; fogueira; cheiro da floresta.

terça-feira, 22 de maio de 2018

ASHANINKA DO AMÔNIA: A LUTA CONTINUA...

EM FAVOR DE MADEIREIROS, O MINISTRO ALEXANDRE DE MORAIS (STF) RECEBE RECURSO INCABÍVEL CONTRA OS ÍNDIOS ASHANINKA*
Dr Antonio Rodrigo Machado*


A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia foi reconhecida em 1985 como pertencente ao *Povo Ashaninka*. Os primeiros relatos dos portugueses sobre os Ashaninkas são do século XVI, feito por Jesuítas, mantendo até hoje uma forte resistência sociocultural, apesar dos intensos ataques de madeireiros na região.

Durante a década de 80, de acordo com *ação judicial interposta pelo MPF*, a família MARMUDE CAMELI foi responsável por quilômetros de desmatamento na região da Terra Indígena, resultando em benefício de *milhões de dólares em madeira nobre, além de levar diversas doenças aos índios*.

Em ação ajuizada pelo Ministério Público Federal, a família foi condenada em primeira instância (Justiça Federal do Acre), em segunda instância (Tribunal Regional da 1ª Região em Brasília) e no Superior Tribunal de Justiça.

Como o recurso destinado ao STF não foi recebido na segunda instância, o processo terminaria com a decisão do STJ, mas uma manobra jurídica, excepcional e não aceita pela jurisprudência, fez com que o processo fosse ao Supremo Tribunal Federal. Um recurso extraordinário interposto contra a decisão do STJ foi recebido pela própria Corte.